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Belém prepara a logística do Fórum Mundial de Bioeconomia

Jukka Kantola, fundador do Fórum, veio à capital paraense conhecer o potencial da Amazônia para pequenos negócios

Jukka Kantola conheceu as belezas ao Parque Mangal das Garças. Foto: Ronald Dias / Divulgação

Com uma ampla diversidade de recursos naturais, aliada à utilização de novas tecnologias, os amazônidas empregam um novo conceito sobre bioeconomia, com o propósito de criar produtos e serviços mais sustentáveis. O Estado do Pará tem forte potencial para desenvolver esse segmento, com um papel inclusivo e de mobilidade social.

A Da Tribu é um empreendimento de impacto socioambiental no campo da moda sustentável. Do látex e de seu desdobramento em fios emborrachados surgem peças que valorizam a economia da floresta, gerando renda para suas comunidades e preservando a biodiversidade. A marca de moda nasceu em 2009, pelas mãos da artesã Kátia Fagundes. “Comecei com fios de algodão e depois passei para o papel, com um trabalho de joias orgânicas. Atualmente, desenvolvemos os produtos para o mercado de varejo nacional e internacional. Além disso, também disponibilizamos nossos fios e tecidos emborrachados”, conta a artesã.

O fundador do Fórum diante da representação do Círio de Nazaré em miriti. Foto: Ronald Dias / Divulgação

Este ano, a capital paraense vai sediar o Fórum Mundial de Bioeconomia (WCBEF). Pela primeira vez, o evento ocorre fora da cidade de origem, Ruka, na Finlândia. Considerada a cidade porta de entrada para a Amazônia, Belém recebe o evento nos dias 18, 19 e 20 de outubro. “Penso que, primeiramente, vocês devem se orgulhar da sua natureza. Eu fico muito contente de ver que vocês estão vivendo em equilíbrio com a natureza. Penso que há uma boa plataforma para construírem em cima disso, várias opções que vocês estão buscando do ponto de vista de sustentabilidade. Vocês devem também se orgulhar dos esforços que estão fazendo, da industrialização na bioeconomia, desses produtos e insumos da Amazônia”, disse Jukka Kantola, fundador do Fórum.

O conceito de bioeconomia reúne diferentes visões e abrangências, que influenciam o investimento e as políticas públicas que possam, efetivamente, gerar renda e desenvolvimento sustentável, de acordo com a realidade da Amazônia. “A bioeconomia na visão amazônica é diferente dessa bioeconomia mais ampla. Pensamos no desenvolvimento do território, na floresta em pé e nas pessoas que vivem nela. Então, é de suma importância, e acho que vai ser incrível esse encontro. Esse Fórum será uma oportunidade de trocas e aprendizados, de visibilidade para a Amazônia e para os pequenos negócios”, reforçou Kátia Fagundes.

O WCBEF é um think tank, que fornece uma plataforma às principais partes interessadas na Bioeconomia Circular, seja no compartilhamento de ideias ou na promoção de inovações responsáveis, de base biológica, para substituir indústrias, produtos e serviços de base não renovável. Dessa forma, há contribuição direta para alcançar uma economia mais sustentável, mitigando os efeitos das alterações climáticas.

Tradição e estratégias - Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mauro O’de Almeida, “o desafio é criar logística de mercado para que essas atividades se estabeleçam. Precisamos que esses elementos sejam importantes para essa cadeia econômica, com uma estrutura sólida interna e externa. Precisamos trabalhar muito o nosso conhecimento tradicional associado, o nosso patrimônio genético, estruturar nossas estratégias para a bioeconomia. O Fórum Mundial de Bioeconomia é a oportunidade para termos investimentos em ciência, tecnologia e também em infraestrutura”.

Visita ao Complexo do Ver-O-Peso. Foto: Ronald Dias / Divulgação

Abrir espaço para diálogos e ideias sobre investimentos que impulsionem a bioeconomia no Pará também tem reflexos no turismo na Amazônia e fomenta a estratégia da Bioeconomia. A Secretaria de Estado de Turismo (Setur) acompanhou a visita de Jukka Kantola aos principais espaços turísticos da cidade. “Pudemos mostrar nossos atrativos turísticos para ele entender melhor sobre o lugar onde vai acontecer o Fórum. É muito importante a presença dele aqui. Estamos ansiosos para os próximos passos que a gente vai tomar no sentido de construir um grande Fórum de Bioeconomia no Estado do Pará”, ressaltou o titular da Setur, André Dias.

A estratégia da bioeconomia também se associa diretamente à cultura popular. A secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, destacou que há muitas oportunidades de se trabalhar a bioeconomia no Pará. “A primeira visita da equipe finlandesa a Belém fortaleceu a confiança na capacidade do nosso Estado de realizar um evento tão estratégico para as discussões sobre um novo paradigma de desenvolvimento, baseado na economia verde. Essa imersão na ‘experiência Pará’ teve vários momentos marcantes, entre eles o contato com a bioeconomia da Amazônia profunda, onde os saberes de comunidades tradicionais extrativistas encontram novas tecnologias sociais associadas ao design - como é o caso da Da Tribu -, que produz moda em parceria com famílias ribeirinhas da Ilha do Combu”, pontuou a secretária.

Compartilhar – O Fórum Mundial de Bioeconomia é um evento internacional, que reúne lideranças de vários países para debates em formato de mesas-redondas virtuais.

A proposta principal é discutir e compartilhar ideias, além de promover soluções de base biológica. As mesas-redondas do Fórum (World BioEconomy Forum) são eventos moderados por profissionais de bioeconomia que, juntamente com palestrantes de alto nível, se envolvem em conversas intensas sobre os tópicos fundamentais do WCBEF.

 

Por Bruna Brabo (SEMAS)